DEATH BECOMES HER


Você conhece essa história. Você pode não se lembrar nesse momento, não conhecer o nome dos envolvidos, não saber os detalhes . . . mas todos conhecemos essa história. Todos sabemos que nas profundezas do Tártaro, no Reino de Hades, existe um homem condenado a rolar uma pesada pedra, montanha acima, todos os dias, pela eternidade. E, assim que ele finalmente atinge o topo de tal montanha, a pedra rola todo caminho de volta até a base. Esse é Sísifo. Mas o que de tão ruim esse homem, um esperto mortal e rei fundador de Corínto, fez para merecer tal punição do Rei dos Mortos?
E é então que entra a segunda figura desse conto. Thanatos, a própria morte, foi buscar este homem quando finalmente sua hora chegou. Sísifo, porém, extremamente astuto, foi capaz de subjugá-lo e aprisioná-lo. Durante esse período, o Underworld entrou em decadência. Com Thanatos aprisionado, não ocorriam mais mortes, fazendo com que uma grande crise tomasse conta do domínio de Hades, que buscou nos demais deuses uma solução para seu problema.
Com Thanatos finalmente livre, Sísifo não teve outra opção se não acompanhá-lo. Mais uma vez, no entanto, ele usou de sua extrema inteligência, dizendo a sua esposa que não realizasse os ritos fúnebres que lhe autorizariam a entrada no mundo das almas que partiram. Com isso, Hades lhe concedeu permissão de retornar, sob o pretexto de dar uma advertência a mulher, para que ele pudesse retornar com os ritos realizados e a passagem livre para sua entrada. Mas é claro que não foi isso que aconteceu, de forma que, pela segunda vez, Sísifo foi capaz de enganar a morte e seu senhor. O que enfureceu a ambos, fazendo que ambos lhe decretassem o castigo eterno de rolar uma pedra montanha acima, apenas para que, assim que a tarefa fosse concluída, seu esforço retornasse ao lugar de origem.
"Mas, qual o motivo dessa pequena história?", você deve estar se perguntando. Após esse deslize de Thanatos, o Rei do Underworld não poderia correr o risco de sofrer uma segunda crise. Então, desesperado, Hades passou a buscar soluções para que nenhum outro "Sísifo" se levantasse, subjugando assim o único capaz de manter seu império em seu devido lugar. E foi na quarta gravidez de sua esposa, Persephone, que o deus encontrou sua solução.
No final do verão, em 21 de agosto, nasceu a terceira filha do casal, Kahlen. É claro que, uma vez que Makaria e Melinoë já possuiam seus próprios domínios, o senhor da morte não poderia ver tal solução em nenhuma das primogênitas. Mas, sua caçula, um bebê recém-nascido . . . era a oportunidade perfeita para que ele garantisse que nunca mais seu reino sofresse com o descuidado alheio. Afinal, negócios familiares deveriam ser sempre mantidos em família.
Com a ajuda de Hecate, sem conhecimento de nenhum outro deus, um pacto foi feito e o destino da pequena princesa do Underworld selado pela eternidade. Ao completar dois mil anos, Kahlen assumiria a posição de própria morte, substituindo Thanatos e garantindo assim que nunca mais o reino de seu pai — seu reino — passasse por um período de extrema decadência outra vez.
Mas nem todos se agradaram ao saber o plano de Hades de tornar sua própria filha na morte. Demeter, a avó da garota, se mostrou extremamente transtornada com tal ideia, alegando que Hades corromperia sua neta, uma criança pura e ela faria o necessário para impedir aquilo. Dessa forma, quando tinha um ano e meio, Kahlen foi tomada dos braços da mãe pela própria avó, que a manteve quase como prisioneira no mundo mortal, sem qualquer contato com sua terra natal, o Underworld, ou seu pai por durante mil novecentos e noventa e nove anos, quando finalmente a deusa abraçou seu destino e assumiu a posição de Thanatos, se tornando a personificação da própria morte.

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